Meretrizes do Medo 14 anos de fracassos

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domingo, 22 de fevereiro de 2015

Um gigante cai: Adeus Renato Rocha

Pindamonhangaba São Paulo Brasil
22 de fevereiro de 2015.

Era para ser um domingo, típico de minha  existência patética. Patética por que? Porque nada acontece, sei lá... Um agito para revigorar a alma; uma experiência de vida, ou qualquer outra coisa que chute para bem longe esse tédio mórbido. Se não fosse por um detalhe: hoje é um dia muito triste para a música brasileira.

Morreu hoje de manhã, por volta das 8h30 de uma manhã de sol, o injustiçado baixista do Legião Urbana, Renato Rocha. Injustiçado, mas ele ainda é lembrado pelos fãs. Ele estava em Guarujá(SP) passando por um processo de desintoxicação em uma clínica por intermédio de Giuliano Manfredini (o filho do Cara!) após aparecer em um programa de variedades na TV Record mendigando na rua no centro do Rio de Janeiro.
Durante os primeiros discos da Legião Urbana, ele registrou em todas as faixas - mais a "A Canção do senhor da Guerra" do LP "A Era do Halley" de 1986, lançado pela Somlivre/TV Globo - um baixo cru, pegado, rápido e firme. Rocha não suava palheta. Nem mas faixas mais rápidas, como "Metrópole" do LP "Dois", "Petróleo do Futuro" e "Baader-Meinhoff Blues" do primeiro LP "Legião Urbana"(cuja faixa o Charlie Brown Jr cagou diarreias...). Era um baixista e tanto. Na verdade, ele entrou por causa da tentativa de suicídio do Renato Russo após uma recusa de uma companhia de gravar o primeiro debut da banda, assim cortando os pulsos, o impedindo assim de tocar baixo...

Com Russo livre para apenas compor, tocar teclados, violão e soltar as bestas, Rocha se encarregou de segurar as quatro cordas. Dos quatro ele que menos "aparecia" - tão talentoso quanto os demais, mas era ofuscado pelo trio original Russo/Bonfá/Villa-Lobos. E nem por isso deixavam de se respeitar.


Renato Rocha(a esquerda) com a Legião Urbana na rampa do Congresso Nacional durante a divulgação
de "Que País é  Esse". Divulgação/Arquivo Legião Urbana - Fonte: G1.com


Infância e adolescência

Renato Rocha nasceu em São Cristóvão, no Rio de Janeiro, em 27 de maio de1961, mas mudou-se para Brasília em 1970, aos nove anos, porque seu pai, militar, havia sido transferido para capital nacional. O primeiro lugar de Brasília em que Renato Rocha viveu foi na W3, onde ficou de 1970 a 1974. Em 1974, Renato Rocha mudou-se para a quadra 306, onde passou a ter contato com a banda Tela, uma das várias bandas brasilienses surgidas na década de 1970. Nessa época, Rocha também começou a fazer bicicross (BMX). Apesar do contato com a banda Tela, Rocha nunca a integrou'. Os primeiros apelidos de Renato Rocha foram: "Renatão", por causa de seu tamanho, e "Romeu", herói olímpico grego das lutas – o músico sempre foi brigão. Quando entrou para o time de vôlei da AABB (Associação Atlética Banco do Brasil), ganhou o apelido de "Negrelle", que foi um famoso jogador do clube. Mais tarde, porém, o apelido foi mudado para "Negrete", numa brincadeira de seus amigos com o sotaque francês. Ainda em Brasília, Renato Rocha foi membro da facção "hardcore" dos "punks" dessa cidade (gangue dos Carecas). Renato Rocha mudou-se logo depois para a Quadra 16, onde passou a ser amigo de Geruza, o ex-integrante das bandas Escola de Escândalos e Blitx 64. Nessa mesma época, através de Geruza, Renato Rocha conheceu Andre Pretorius, Renato Russo e Fê Lemos.

Carreira Musical

A primeira banda que Rocha integrou foi a Gestapo. A banda era formada por Lulu Gouveia; Judas; Joãozinho Viradinha (que depois virou cantor Gospel) e Renato Rocha. Depois, Negrete formou com Toninho Maia a banda Hosbond Kama. Em 1981, ele passou a integrar a banda Dents Kents, composta ainda por Fred (Vocal); Ameba (Bateria – que mais tarde mudou seu nome para Jander e foi para Plebe Rude); Feijão ('Guitarra). O Dents Kents existiu de 1981 a 1982.  A Legião Urbana originalmente era um trio, com Renato Russo (baixo), Dado Villa-Lobos (guitarra) e Marcelo Bonfá (bateria). Renato Rocha ingressou na Legião Urbana logo depois de a banda ter assinado o contrato com a EMI, em 1984, a quatro dias do início das gravações do primeiro LP da banda, auto-intitulado. O motivo foi à tentativa de suicídio de Renato Russo ao cortar os pulsos, ficando assim impossibilitado de gravar. Renato Rocha já era amigo de Marcelo Bonfá, o que facilitou sua entrada para a banda. A partir daí, virou integrante fixo do grupo e compôs "'Quase sem querer" e "Daniel na cova dos leões" e outras canções junto com os membros da banda.

Renato Rocha deixou a Legião em 1989, quando a banda estava prestes a assinar o contrato do álbum As Quatro Estações. Em uma entrevista concedida anos mais tarde, ele afirmou que foi expulso por Renato Russo que, saindo de um elevador, disse: "Você está fora da minha banda". Em entrevistas posteriores, Dado Villa-Lobos revelou que os reais motivos da saída de Negrete foram devido aos seus problemas pessoais com bebidas e atrasos em shows. Após anos, Billy foi convidado a fazer uma participação no álbum Uma Outra Estação, tocando baixo na faixa "Riding Song", que se tratava de uma faixa em que a passagem dos demais instrumentos e o coral do refrão já estavam gravados por Dado e Bonfá. Contudo, como já não havia a voz de Renato Russo, a gravadora utilizou depoimentos gravados em 1986 dos quatro membros da banda em cima do arranjo.

Depois da Legião Urbana, Renato Rocha integrou a banda Cartilage (N. E.: Não confundir com Cartilage, banda de death metal da Finlândia), na qual lançou os discos Cartilage Virtual e Solana Star, cujo nome fazia referência ao navio Solana Star, que naufragou em 1987.

Morador de rua e apoio da mídia

Em 25 de março de 2012, o programa jornalístico Domingo Espetacular, da Record, exibiu uma matéria em que mostrava que o baixista havia se transformado em morador de rua no Rio de Janeiro. A reportagem descrevia a série de acontecimentos que o levaram a perder tudo e ir morar nas ruas cariocas. Especulava também o porquê de os direitos autorais não serem suficientes para que o músico conseguisse tocar sua vida dignamente e também o porquê de sua vida ter se transformado tão radicalmente. Ainda na reportagem, o ECAD comunicou que repassa ao músico um valor de cerca de R$ 900 por mês. Em 2002, em uma entrevista, ele havia afirmado que a Legião Urbana rendia menos de mil reais por mês a ele. Também assumiu fazer uso de maconha, bebidas alcoólicas e que teve uma juventude marcada por estas e outras drogas.

Em 2013, Negrete subiu junto com outros músicos no palco montado no Estádio Nacional Mané Garrincha, no show "Renato Russo Sinfônico". Neste tributo, Renato Russo apareceu no palco na forma de projeção holográfica. Em 2014, foi convidado para uma participação no projeto "Urbana Legion", idealizado por Egypcio, da banda Tihuana. Neste projeto, Negrete voltou aos palcos para tocar os sucessos do Legião Urbana, junto com o também ex-integrante Eduardo Paraná. Em 22 de fevereiro de 2015, por volta das 8h30, uma governanta encontrou o ex-baixista morto dentro de um hotel em Guarujá, no bairro da Enseada, no litoral de São Paulo. Renato deixa um casal de filhos e uma neta



O Artista não morre; se eterniza em sua obra.

Fontes de pesquisa, de de fotos: G1, R7 e Facebook

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Radio France International: Uma entrevista inusitada de Glauber Gleidson Peres


O ano de 2015 começou movimentado. Na sonolenta manhã de 7 de janeiro, a jornalista Adriana de Freitas, da redação de língua portuguesa da Radio France Internationale contactou Glauber Gleidson Peres após um longo período de espera por um retorno - desde 2007 para ser mais exato. 

A redação de língua portuguesa da RFI. A direita de blusa listrada, Adriana de Freitas
(Arquivo: RFI http://portugues.rfi.fr)
Uma de muitas antenas emissoras do Centro Emissor de Issodun,
pertencente a RTF (Arquivo RTF)
"Eu escutava as emissões em português ao continente africano naquela época" relembra. "Na época em que eu ouvia, era de uma hora diária às tardes e chegavam muito bem". As transmissões são feitas através de um centro de emissores de ondas curtas da RTF - Radioteledifusión Francaise - localizado em Issodun, centro-oeste francês, com potência de 250 kW.


A entrevista inusitada se deu ás 6 horas da manhã, horário de verão brasileiro, por um erro de cálculo de Glauber ao se basear pelo fuso londrino que corresponde a hora UTC, utilizada como hora referencial em telecomunicações e aviação internacional. A entrevista foi transmitida dia 11 no espaço Correio dos Ouvintes. Confira!





Se quiserem acessar o link da entrevista no site da emissora, segue embaixo:
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http://www.portugues.rfi.fr/brasil/20150111-passeios-pelas-estacoes-de-esqui-no-correio-dos-ouvintes